Ca estou eu de novo... Desde o último post que vivi variadíssimas peripécias, entre as quais a deslocação do magnífico G.D.C.B. á Covilhã, para a disputa da final nacional de futsal do INATEL, mas deixo para o meu amigo Piri o relato desta mesma viagem. De resto, entre copos, e projectos da faculdade, tenho vivido algumas experiências bastante marcantes... quanto muito pela preparação psicológica necessária para criar um projecto de arquitectura, por mais básico que ele seja, é uma coisa que nos deixa a pensar durante dias, e noites. Tipo, "se te sentes só no mundo, faz como nós, vem para arquitectura e estarás sempre acompanhado", pelo menos por ti próprio a pensar no que vais fazer.
Mas nem tudo é mau. Quando consegues enganar o prof. e a tua maquete finalmente é aceite, é como se o sol brilhasse por entre as núvens...a parte má é que até lá não pára de chover.
"Se podes olhar, vê... se podes ver, repara" - Saramago in "Ensaio sobre a cegueira", é de todo uma missiva a todos os futuros arquitectos. Talvez a base de toda a arquitectura passe por esta frase. Afinal o que é isto de ver e observar? Para muitos é a mesma coisa, mas se aprofundarmos um pouco o sentido das duas palavras, podemos quase "tactear" a diferença. É conseguir uma abstracção da realidade, passando a analisar o vazio em deterimento do cheio... é realmente o SENTIR o que o espaço nos transmite, e o que as barreiras (outrora paredes) nos provocam. Perceber o sentido do espaço enquanto matéria moldável, de modo a conseguir criar uma vantagem em relação ao todo final.
No Japão, local onde a arquitectura é uma arte milenar, há uma máxima que diz " o homem vive no vazio, logo porquê preocupar-se tanto com o cheio?" ou seja, o homem vive no espaço mas está sempre preocupado com o que limita esse mesmo espaço, não dando por vezes a devida importância ao que se situa dentro desse limite. É esse estudo cuidado que distingue um arquitecto de UM arquitecto. Aquando da percepçao e compreensão desta faculdade inata mas pouco desenvolvida, o homem consegue coisas absolutamente fantásticas como as grandes obras criadas até hoje, mas este vai ser um tema a debater proximamente...
Até um dia....